Ética? É de comer?
Dias atrás aconteceu, novamente, algo que está se tornando frequente. E acredito que não somente para mim. Resumindo, mais uma vez enfrentei uma mistura de concorrência desleal com desconhecimento (e ganância) de um cliente. Só pra ter uma idéia, eu tive acesso ao orçamento do concorrente, que não especificava quase nada do serviço, e ainda tinha erros grosseiros de gramática básica, que até o Word corrigiria.
Será que ninguém vê isso? Será que o presidente da empresa é tão ignorante? Ou será que ele apenas é mais um espertinho, se fazendo de bobo para desvalorizar o serviço dos outros? Eu voto na última opção. Para essas pessoas, na maioria das vezes, o serviço dos outros nunca tem valor. Já cansei de ouvir: “você tem que me fazer um descontinho, que depois vou trazer muito mais serviço para você”. Quem já fez a besteira de cair nessa balela sabe muito bem que o cara nunca mais volta, pois no próximo serviço vai bater na porta de outro com a mesma história. E normalmente quem cai nessa são esses caras que detonam o mercado fazendo trabalhos a preço de banana, que se acham mais espertinhos que a concorrência. E assim caminha a humanidade.
E eu fico perplexo com a falta de autorreflexão desse povo. Acompanhe meu raciocínio. A pessoa monta uma produtora de vídeos sem saber o que é uma objetiva, achando que é fácil e que vai ganhar um montão de dinheiro. Aí, como não tem conhecimento nem portfólio, tem dificuldade para pegar serviços. Ele olha pra concorrência, e vê que cobram, por exemplo, 5 mil reais para fazer um vídeo. E vem o “brilhante” pensamento: “se eu cobrar metade disso, com certeza vou fazer mais que o dobro de trabalhos que esses caras fazem!”. A pessoa baixa o preço, rala o mercado, e por um tempo consegue enganar alguns clientes. Até aparecer outro mais “espertinho”. Esse novo espertinho baixa mais ainda o preço do anterior, que quando se dá conta, perdeu boa parte dos trabalhos que tinha. E assim forma-se um círculo vicioso, até que não compensa mais fazer os vídeos porque o valor não paga os salários, contas e nem o investimento em novas tecnologias. Ou seja: os caras cavam a própria cova, e muitas vezes a dos outros que ficaram sem trabalho por causa da concorrência desleal e burra.
Ah, e o cara que contrata o espertinho normalmente acaba com um vídeo de qualidade duvidosa, que mais mancha do que exalta a qualidade de sua empresa. Nessa altura do campeonato, ele não vai pagar pra fazer outro vídeo com qualidade decente, e ainda acaba criando uma imagem negativa de quem produz vídeos, e a tendência é generalizar.
Enfim, esse pessoal segue aquela velha máxima: “o mundo é dos espertos”. Não o meu mundo.
28/08/2009 às 17:41
Pois é, Gabriel. E eu fico ainda mais perplexo de ver as pessoas no fórum VídeoBR ensinando qualquer babaca a criar uma produtora no fundo do quintal de casa, como se fosse a coisa mais simples do mundo.
Cadê o profissionalismo? Quer dizer então que todos os seus concorrentes agora são ‘amigos’?
Brasileiro já é um povo pequeno por natureza e tem alguns caras que não sei o que têm na cabeça de incentivar idiotas a engolir ou destruir o mercado por eles. Não é falta de ética neste caso: é pura burrice infantilóide.
Ser ‘gente boa’ é uma coisa, agora sem reciprocidade ou verdadeira amizade já é demais!
Ah! Podiam montar uma cartilha por lá, se é que já não tem. Assim qualquer macaco pode brincar com a gente neste zoológico chamado Brasil.
Abraço,
Luiz
29/08/2009 às 08:54
Eu até acho válido ajudar as pessoas, mas depende muito do contexto. Por exemplo, no meu caso, eu não indico mais câmeras para comprar, que é o que o pessoal mais pergunta. Eu sempre aconselho a pessoa a estudar antes, para aprender o que realmente pretende fazer, pois assim a escolha da câmera (e dos outros equipamentos) passa a ser uma tarefa natural.
Além do mais, atualmente eu ajudo sim os outros, mas como profissional. Quer minha ajuda, pague pela consultoria. Simples assim.
O grande problema de dar informação de mão beijada é que ela não vem com conhecimento. Um cara municiado apenas de informação, vinda dos outros, vai ralar o mercado. Isso é quase certo. E tudo que não precisamos é uma concorrência desqualificada.
10/09/2009 às 13:49
Já tive problemas com concorrentes argentinos. O meu cliente chamou uma produtora argentina para fazer um trabalho pois saía mais barato trazê-los de lá e pagar o que pediam que me pagar o que pedi. Na realidade eu cobrei por dias não trabalhados que teria que ficar à disposição, e os caras não. No final eles tiveram que ficar 12 dias a mais e se deram mal, parece que tiveram prejuízo com o trabalho.
Enfim, já deixei de pegar muito trabalho porque o cliente achou caro, mas eu respondo que, se quer qualidade, o preço é esse. Se não ele pode optar por se arriscar a pagar barato pelo mesmo serviço na mão de pessoas menos experientes.
02/10/2009 às 19:07
Eu assino embaixo. Só que eu faço ao contrário, quando alguém vem conhecer o meu trabalho já pergunto se tem algum orçamento e depois que mostrou aí eu faço a minha parte…ofereço 70% mais baixo que ele…calma só estou brincando. Eu cobro um pouco mais do que ele mas ofereço mais para o cliente em relação ao meu trabalho.
Se o do colega custa R$ 500,00 eu cobro R$ 550,00 ou mais mas dentro do meu trabalho de filmagem e foto ofereço algo a mais mas sem exageros.
O que acha disso? Posso estar errado mas qual a sua opinião?
03/10/2009 às 09:07
Rapaz, eu acho complicado usar o preço dos outros como referência, em qualquer sentido que seja.
Eu acredito que você tem que colocar um preço justo no seu serviço, e usar somente sua qualidade como referência. À partir do momento que você começa a usar os concorrentes como referência, você fica preso a isso, e os clientes acabam fazendo leilão de preços, o que é péssimo.
Eu não quero que o cara faça comigo porque eu cobrei um pouquinho a mais e ofereci vantagens, mas sim que ele veja as vantagens em fazer o trabalho comigo sem eu precisar escancarar isso pra ele.
07/10/2009 às 15:15
Eu concordo com você em tudo o que escreveu, acho que deveria ser assim mas não é. O problema é ir sozinho lutando contra a maré.
Não vivo da tabela do concorrente, eu tenho a minha, o que faço é simplesmente não jogar sujo abaixando o preço e desvalorizando a nossa profissão. Prefiro perder clientela por alguém que produz mais ou faça algo melhor do que o meu em vez de perder clientes para alguém que faça pior do que eu e mais barato pois também eu tenho estômago e família e não posso ficar só apresentando o meu trabalho e vendo clientes indo embora e lotando a “produtora” do lado de seviços só por causa de jogo baixo.
Pra mim preço justo e qualidade já é o “oferecer algo a mais” para o cliente pois a sua qualidade pode ser mais do que a minha qualidade.
Talvez o meu exemplo de valores alí em cima não deixou claro a minha opinião.
Espero ter deixado claro a minha opinião e não transparecer um desses “camaradas” que fazem parte da lógica do preço baixo.
Preço justo sim!
15/12/2009 às 16:34
Sou graduado em publicidade e sou editor a uns 7 anos, ja trabalhei em tv, faculdade, produtora e como free lancer, a acho que é impossível mensurar a criatividade, estou prestes a abrir minha produtora e o que me desanima é essa falta de escrúpulos que o mercado ofereçe, existe uma diferença entre editor e “micreiro”, concordo que devemos ofereçer sempre um diferencial, e o preço deve ser baseado nesse diferencial, nunca pela concorrência.
Mas o que mais me preocupa na implantação da minha produtora é a prospecção de clientes, meu portfólio de edição é bacana, vários tipos de linguagens e tal, mas como imagens e edição, ou seja o serviço completo, ainda não tenho um portfólio formado, estou querendo sair do mercado de free lancer e entrar como dono de produtora, sei como atender o cliente sei como gravar, sei editar, só me falatava equipamento, agora tenho a possibilidade de começar com duas câmeras, uma ilha, kit iluminação e áudio. Meu maior desafio é entrar no mercado coorporativo, não quero ficar gravando casamento e festa de 15 anos, isso da trabalho demais e dinheiro de menos, enfim.
Se alguém puder me dar alguma dica com relação a prospecção e elaboração de portfólio, eu agradeceria muito.
Ass:. Lucas M. Nogueira
15/12/2009 às 21:41
Vou te falar o que eu acho, sinceramente.
Sou sócio de meu pai em nossa produtora, que tem 25 anos de mercado. Se não houvesse todo esse tempo de estrada, e hoje eu estivesse com um bom emprego, não largaria tudo para tentar montar uma produtora.
Exige muito esforço e dedicação, e paciência, porque às vezes a coisa demora a decolar, isso quando decola.
Quanto ao portfólio, eu acho que deve ser feito voltado para o mercado onde você quer atuar. O detalhe é que a parte de captação de imagens você não tem, ou seja, não terá como montar um portfólio completo antes de comprar uma câmera. Ou então você poderia se associar a algum bom cinegrafista e unir o trabalho dele ao seu. É uma idéia.